A adolescência é uma fase marcada por transformações físicas, emocionais e sociais. Mudanças de humor e comportamento podem fazer parte desse período, mas, quando essas alterações se tornam intensas, persistentes ou interferem na rotina, podem indicar que o jovem está enfrentando algum tipo de sofrimento emocional.
O tema ganha destaque durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a importância do cuidado com a saúde mental. Segundo a doutora em psicologia, especialista em saúde mental e professora da Afya Parnaíba, Bruna Saraiva, alguns sinais merecem atenção de familiares, amigos e professores.
“Alguns sinais que merecem atenção são o isolamento excessivo, mudanças importantes de comportamento, irritabilidade intensa ou constante, tristeza frequente, desesperança, queda significativa no rendimento escolar, alterações no sono ou na alimentação e a perda de interesse por atividades e pessoas que antes eram importantes”, alerta.
A especialista ressalta, porém, que uma mudança isolada não significa necessariamente que exista um problema psicológico. O que deve ser observado é a duração, a intensidade, a frequência e o impacto daquele comportamento na vida do adolescente.
“Quando um comportamento permanece por um período prolongado, se intensifica ou começa a prejudicar áreas importantes, como os estudos, as relações familiares, as amizades, o autocuidado e a rotina, é importante olhar com mais atenção”, orienta a profissional.
Outro ponto importante é perceber se houve uma mudança significativa em relação à forma como o jovem costumava agir. “Às vezes, mais do que procurar uma lista de sintomas, precisamos conhecer o jovem e perceber: ‘Isso é diferente dele? Algo mudou?’”, explica a psicóloga.
Como abordar o adolescente
Nem sempre o sofrimento emocional é verbalizado. O jovem pode não conseguir explicar o que está sentindo e manifestar esse sofrimento por meio do silêncio, da agressividade, do isolamento ou de mudanças de comportamento.
Por isso, a orientação é que a aproximação aconteça de maneira acolhedora, sem cobranças ou julgamentos. “Pais, professores e amigos podem demonstrar interesse a partir de algo que perceberam, mas sem fazer acusações ou cobranças. Em vez de dizer: ‘O que está acontecendo com você? Você está diferente!’, podemos dizer algo como: ‘Percebi que você parece mais quieto nos últimos dias e queria que você soubesse que, se quiser conversar, eu estou aqui’”, sugere.
Entre os sinais que exigem atenção estão manifestações de inutilidade, falta de pertencimento ou falas relacionadas ao desejo de desaparecer ou de não querer mais viver.
“Se houver qualquer fala sobre desejo de desaparecer ou de não querer mais viver, isso deve ser levado a sério e requer busca imediata de apoio de adultos responsáveis e de serviços profissionais de saúde”, finaliza.
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