De acordo com a enfermeira Ayane Rodrigues, coordenadora do curso de Enfermagem da Afya Parnaíba, o principal desafio está no impacto direto da doença sobre o organismo. "O descontrole da glicemia afeta a circulação sanguínea, reduzindo o fluxo principalmente nas extremidades, como pés e pernas. Com isso, há menos oxigênio e nutrientes chegando ao local da ferida, o que compromete a cicatrização", explica.
Além disso, pacientes diabéticos podem desenvolver neuropatia periférica, condição que reduz a sensibilidade, fazendo com que pequenas lesões passem despercebidas e evoluam para quadros mais graves. "Também há prejuízo no sistema imunológico, o que dificulta o combate a infecções", acrescenta a especialista.
Quando não tratadas corretamente, essas feridas podem trazer consequências severas. Segundo Ayane, a infecção é uma das complicações mais comuns e pode evoluir rapidamente. "Em casos mais graves, pode ocorrer formação de úlceras profundas, necrose dos tecidos e até gangrena. Se a infecção atingir ossos ou cair na corrente sanguínea, pode levar a um quadro de sepse, que é potencialmente fatal", alerta.
Em situações extremas, a amputação do membro afetado pode ser necessária, um desfecho que, segundo especialistas, muitas vezes pode ser evitado com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Tecnologia como aliada no tratamento
Diante desse cenário, o avanço tecnológico tem se tornado um aliado importante no cuidado com pacientes diabéticos. Na formação em enfermagem da Afya Parnaíba, os estudantes já têm contato com essas inovações durante a graduação.
Entre os recursos utilizados estão curativos modernos, como hidrogel, alginato e espumas especiais, além da terapia por pressão negativa, técnicas que ajudam a acelerar a cicatrização e reduzir o risco de infecções. "O aluno aprende a avaliar cada ferida de forma individualizada e a escolher a melhor abordagem terapêutica com base em evidências científicas, o que contribui para melhores resultados e mais segurança no cuidado", destaca Ayane.
Outro diferencial é o uso de tecnologias digitais, como prontuários eletrônicos, aplicativos de monitoramento e acompanhamento por imagens, que permitem avaliar a evolução do tratamento de forma mais precisa.
Para a coordenadora, a inserção dessas tecnologias na prática acadêmica prepara o futuro profissional para lidar com um dos desafios mais relevantes da saúde pública atual. "O contato com essas ferramentas ainda na graduação permite que o aluno chegue ao mercado mais preparado, com um olhar técnico e atualizado, capaz de atuar na prevenção de complicações e na promoção da qualidade de vida dos pacientes", afirma.

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