quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Município do Piauí completa 30 dias sem água e população reclama de barragem

O problema da seca é bem antigo no semiárido piauiense. Mas uma grande frustração acompanha a vida de moradores de algumas cidades que foram beneficiadas com uma obra que resolveria, ou pelo menos amenizaria, o problema. Foi só no papel. Hoje, populares vivem a angústia devido problemas estruturais na distribuição de água da barragem Algodões II, localizada na região de Júlio Borges e Curimatá, no extremo sul piauiense. Na primeira cidade, já são mais de 30 dias sem água.
Barragem Algodões II 
A barragem Algodões II foi inaugurada e outubro de 2005 pelo então governador Wellington Dias, um sonho de mais de 50 anos dos moradores. Foram investidos aproximadamente R$ 22 milhões, recursos oriundos do Governo Federal, Codevasf e Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), e do Governo do Estado. 

Ela corresponde a uma área de bacia hidrográfica de 1.254 quilômetros quadrados, o que permitiria a perenização do Rio Curimatá. No entanto, problemas na distribuição estariam fazendo muita água se perder pelo caminho. Pelo menos é o que reclama o vereador Clemilson Barbosa, da cidade de Júlio Borges.

“A água que sai da barragem pra Curimatá através de um riacho acaba se perdendo. Perde mais de 80% no percurso. Não foi feito um planejamento adequado. A empresa responsável não levou [a água] de forma racional, mandou pelo leito do riacho”, reclama o parlamentar, destacando que com a falta de chuvas, o problema toma proporções maiores.

As consequências estão sendo sentidas por famílias das várias cidades que seriam abastecidas pela barragem. Em Curimatá, por exemplo, moradores e autoridades se reuniram e formaram a Comissão da Água, grupo que tem lutado pela conter o desperdício de água de Algodões II. 

De acordo com o vereador, os quatro últimos anos de inverno com poucas chuvas deixaram a barragem ainda mais seca e o abastecimento na região foi prejudicado. Hoje ela está com cerca de 2% do seu volume total, segundo um cálculo feito por moradores de Curimatá. “A prefeitura já tomou algumas providências, mas não adiantou. Estamos sem água. Quem pode comprar água está um pouco melhor, mas quem não pode, tem que procurar os poços. É um sofrimento para os moradores”, destaca.

O parlamentar afirma que entrou com uma representação pela Câmara junto ao Ministério Público, mas pouco adiantou para resolver o problema. “O promotor conseguiu fechar um jato de água da barragem, mas, talvez por questões políticas, ele foi reaberto e o desperdício continuou”, frisa.
O prefeito da cidade, Manoel Ferreira, lamenta a situação e diz que está se empenhando para amenizar o problema, mas que pouco pode fazer. “Fomos atrás da Agespisa para amenizar pelo menos a falta de água aqui e eles prometeram fazer um poço. Querem alugar carro pipa na região e não acredito que seja uma boa ideia. O que nos resta é esperar”, finaliza.

Uma solução apontada por moradores da cidade vizinha de Curimatá seria a construção de uma adutora na região, mas o projeto não conseguiu sair do papel devido a burocracia.
O superintendente de Recursos Hídricos da Semar- Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Romildo Mafra, afirma que ainda não tem conhecimento da real situação do município e que, caso seja feita uma solicitação formal, uma equipe poderá fazer uma vistoria na região.


Diego Iglesias / Cidade Verde

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